Entrevista Com Pedro Dynamo Fecha Com Chave de Ouro Concurso Aberje
Pedro Superti, diretor executivo da Dynamo Publicidade Online, concedeu uma entrevista para a dupla 1 finalista do Concurso Aberje de Mídias Sociais. No último dia de participação no concurso, entre as empresas presentes estavam: Tv Globo, Vale e Serasa.
Acompanhe abaixo a entrevista veiculada no site da Aberje:
1. Você pode nos explicar como é seu trabalho na Dynamo?
Sou responsável pela estratégia de crescimento da agência e parcerias estratégicas. Nos últimos anos, nosso foco tem sido auxiliar empresas com alto potencial de crescimento a utilizar a Internet da maneira correta. A base do trabalho se foca em duas etapas:
1) Fazer com que a empresa seja encontrada por quem busca pelo seu produto/serviço e 2) otimizar o processo de conversão desses contatos, ou seja, transformar visitantes e contatos em clientes pagantes.
Nesse contexto, as redes sociais têm exercido um papel cada vez mais importante, uma vez que elas têm se tornado o refúgio de um número cada vez maior de pessoas – que estão abandonando outras canais usados normalmente para veiculação de publicidade, como revistas, jornais, rádio e televisão.
2. As empresas estão começando a entrar nas redes sociais. Qual é sua visão sobre essa nova relação: empresas/redes sociais, que maximiza o poder do consumidor?
As empresas perderam o controle sobre como e onde suas marcas aparecem – mesmo que ainda não saibam disso. As pessoas é que controlam o que querem falar, quando e por quanto tempo. O que sempre falo para a diretoria das empresas com que trabalhamos é que existem dois pontos cruciais nesse novo contexto e que determinam o sucesso de qualquer campanha online:
1. Saber abordar as pessoas. No meio online, a empresa/marca precisa desenvolver e aprofundar seu relacionamento com as pessoas. Não basta veicular banners e anúncios, pois eles são o símbolo de um relacionamento vazio. A melhor maneira de se fazer é entender quais são as conversas que estão atualmente na cabeça das pessoas e cuidadosamente, começar a se engajar nessas conversar e agregar valor desde o começo.
É como se duas pessoas estivessem conversando ao seu lado na rua. O fato de você entender do que elas estão falando não lhe dá permissão de interromper a conversa. Você precisa pedir licença e educadamente perguntar se pode compartilhar algo que pode contribuir no que tem sido abordado. Assim, aos poucos as pessoas começam a confiar em você e dar ouvidos quando você tiver algo para falar novamente no futuro.
E essa confiança de que você “sabe o que está falando” é o que vai ajudar as pessoas a comprarem de você, quando elas decidirem que for a hora certa para elas. Empresas que entram nas redes sociais com a mentalidade “propaganda, propaganda, propaganda”, tão comum nos canais offline, vão certamente causar uma dano as suas marcas.
2. Criar um Relacionamento Positivo desde o Começo. Quando você conhece alguém, você não sai pedindo dinheiro emprestado, sai? (Bom, talvez alguns sim, então vamos pensar em outro exemplo). Você não sai na rua perguntando à uma pessoa que você recém conheceu se ela quer casar com você, não e verdade? Por que? Porque certas decisões levam um certo tempo para serem tomadas, e tentar apressar esse clico pode destruir qualquer resultado esperado.
Por isso, você deve agregar valor para as pessoas desde o primeiro momento, para que esse ciclo se inicie e termine num período de tempo menor, mas ainda de forma natural. A maneira mais fácil de agregar valor para as pessoas que usam a Internet é dando informação relevante e de qualidade. Informação é praticamente gratuita e pode ser replicada infinitamente. Uma construtora, por exemplo, que cria vídeos explicativos com dicas de decoração, entrevistas com corretores mostrando cuidados ao escolher o seu imóvel e consultores financeiros explicando as opções de financiamento existentes, vão vender muito mais, para muito mais pessoas, por muito mais tempo e a um custo menor do que uma outra construtora que simplesmente contrata uma atriz da novela das 8 para falar do empreendimento.
A primeira construtora soube agregar valor para o público desde o primeiro encontro – e as redes sociais são perfeitas para isso, pois as pessoas estão trocando informações e dicas o tempo todo. Se seu conteúdo for realmente bom, ele vai ter uma montanha de indicações. Todo mundo sai ganhando.
3. Lembrando o case do viral da Google, em que você foi uma das pessoas que desvendaram o mistério do Danielo Miedi, a ação teve sucesso, mas do mesmo jeito que o público pode gostar, pode achar intrusivo, falso. O que você acha desse novo tipo de ação de marketing?
Você precisa se decidir. Ou faz algo totalmente fictício, e não revele a ninguém, ou faz algo aonde você deixa as pessoas saberem que tem uma empresa por trás, mas o conteúdo é tão bom que elas não se importam. As duas abordagens tem seus prós e contras, mas as coisas começam a dar errado quando você mistura as duas.
No caso do Danilo Miedi, que acredito que o Google inicialmente iria fazer a campanha sem falar para as pessoas que tinha o Google por trás – os virais mais conhecidos e bem executados até hoje foram assim. Só que como as pessoas começaram a desconfiar, eles mudaram o plano e ai assumiram “discretamente” que era uma campanha para o lançamento do “Novo Orkut”. Até hoje, 80% dos usuários não sabem que o Danilo Miedi era um personagem. Dos que descobriram que se tratava de uma campanha planejada, 90% ficaram extremamente decepcionados e até irados com o Google. Isso me faz pensar o que aconteceria se 100% das pessoas soubessem da campanha. Será que teriam uma reação similar?
Do ponto de vista de sucesso e exposição, eu acho que foi uma campanha que fez barulho e atingiu muitas pessoas, mas acabou perdendo o seu melhor trunfo: o relacionamento a longo prazo que as pessoas poderiam ter com o “Danilo”. Há alguns dias, eles divulgaram um vídeo aonde ele sai do país e diz que não postará mais vídeos. Não é um desperdício? Ele poderia ser o porta-voz entre a comunidade e o Google para tantas outras coisas, nos próximos anos – ainda mais no Brasil aonde os sites da rede do Google (como Orkut, Youtube e BlogSpot) são campeõs absolutos de audiência online.
Para um relacionamento existir, confiança é fundamental. Isso vale para marcas e pessoas. Se as pessoas sabem que a empresa já mentiu uma vez, o que elas podem esperar das futuras campanhas dessa empresa? Não, não existe uma mulher “meio” grávida. Transparência e autenticidade é fundamental.
4. Mal entramos na web 2.0, já se fala na web 3.0. Na sua opinião, o que se esperar dessa nova plataforma?
Será uma evolução natural. A web 2.0 conecta pessoas e permite que um novo mundo de informações seja gerado facilmente por estas pessoas. A web 3.0 será uma próxima etapa, aonde é necessário selecionar virtualmente quais destas informações são interessantes no seu caso e com quais não você provavelmente não iria querer perder seu tempo.
Por exemplo, meu celular é onde guardo minha agenda de compromissos. Ele sabe que tenho um vôo para fora da cidade às 20h de quinta-feira. E por ele ter acesso a Internet, ele também sabe que está chovendo muito e que o vôo foi atrasado em 3 horas. Ele também sabe que no dia seguinte é aniversário de meu sobrinho de 4 anos (e sabe disso pois tem acesso a minha conta no Orkut e conhece meus amigos e parentes). Logo, ele pode processar essas três informações e criar uma sugestão de lojas a caminho do aeroporto, aonde eu posso parar e comprar um presente para um menino de 4 anos nesse meio tempo e ainda chegar a tempo de pegar o vôo.
Isso para mim, é um exemplo de aplicação pessoal plausível e atraente da web 3.0.
Mas para isso, primeiro precisamos de tecnologia. Com o avanço de acesso banda larga e internet móvel no Brasil, isso será a parte mais fácil nos próximos dez anos. Em segundo lugar, precisamos que as pessoas se adaptem a usar esse tipo de tecnologia no seu dia-a-dia. A verdadeira revolução não aconteceu quando a “prensa” (de impressão de textos no papel) foi inventada. Ela aconteceu quando o povo, em grande escala, aprendeu a ler.
O brasileiro é muito aberto a novidade e isso vai facilitar muito o processo. Acredito que ainda temos outros degraus a subir nessa escada da evolução virtual antes de chegarmos nesse ponto, mas estou muito animado com o que o futuro nos reserva nos próximos anos.
5. E, para fechar, para você, como os jovens devem se qualificar para entrar na área de comunicação atual?
Aprendam como funcionam as ferramentas de comunicação utilizadas hoje e nos próximos anos. Você precisa de um blog, e não precisa ser em texto. Pode ser em vídeo – com sua câmera digital e com vídeos no Youtube. Você precisa aprender – como se faz na internet o que se fazia no “mundo offline” nos últimos 100 anos: encontrar uma necessidade em um nicho e suprir aquela necessidade ganhando a confiança e respeito das pessoas durante o processo. Um blog é uma ótima maneira de falar sobre o que você ama e trocar experiência com outras pessoas que possuem gostos parecidos.
Aprenda a usar o Twitter, mas não se preocupe com o numero de seguidores (me dói quando vejo as pessoas fazendo campanha para conseguir x seguidores até o final da semana, etc). Isso é mentalidade 1.0. Qualidade vêm antes de quantidade. Se você for bom e tiver coisas interessantes para falar, os seguidores virão naturalmente.
Uma maneira muito melhor de saber se você está aprendendo e usar bem o Twitter seria ver quantas pessoas “re-twittam” sua mensagem para seus contatos. Quando você escreve algo bom e muitas pessoas re-twittam isso, ai você sabe que está no caminho certo.
Aprenda a utilizar fóruns e comunidades virtuais como o Ning.com – que tem ganho muito mercado no Brasil. Busque aprender como conseguir a confiança das pessoas ali. Observe a atitude das pessoas mais respeitadas no fórum e se inspire nesse comportamento.
Existe todo um eco-sistema que precisa ser abastecido na comunicação online, como programadores, designers, editores, analistas, redatores, entrevistadores, planejadores e muitos outros. Encontre algo que você ama e seja o melhor naquilo. Entretanto, acima de todas as habilidades técnicas, sem dúvida temos uma carência por lideres na Internet. Aprenda a “liderar” e “inspirar” comunidades virtuais, e nunca mais você vai ter que se preocupar com emprego.
Parece clichê, mas se eu faço uma entrevista com você e me mostra como conseguiu fazer um site/blog do zero e em 12 meses ter 1.000 pessoas que conhecem seu nome, confiam em você e voltam a acessar seu site diariamente para ver o que você tem para falar … não me interessa se você fez só ate a 5ª série, eu contrato você na hora!
Twitter do Pedro Superti: http://twitter.com/pedrosuperti
Reportagem do Blog da Aberje.
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